O número de jovens que não conseguiram dizer não ao
tráfico de drogas,apesar da expansão do emprego formal e do aumento da
escolaridade nos últimos anos,explodiu.
Eles representavam 7,5% dos adolescentes que cumpriam medida de
restrição de liberdade em 2002,segundo a Secretaria de Direitos Humanos
(SDH).
Em uma década,esse percentual mais do que triplicou,atingindo 26,6% em
2011.A expansão ocorreu em 22 das 27 unidades da federação.
Levantamento feito pela Folha mostra que a tendência de expansão
continua.Entre 14 Estados que forneceram dados,10 registraram aumento
da incidência de tráfico entre adolescentes infratores.
A causa mais citada por especialistas para o maior número de jovens traficantes é o crescimento do consumo de drogas no país.
"Existe uma grande epidemia de consumo de crack,que você consegue
comprar até por R$ 0,50",diz Joelza Mesquita Andrade Pires,presidente
da fundação de atendimento socioeducativo do Rio Grande do Sul.
A dificuldade que os jovens,principalmente os de famílias com menor
renda,enfrentam para entrar no mercado de trabalho formal também é
ressaltada.
A maioria dos adolescentes infratores abandonou os estudos ou apresenta defasagem de série na escola.
"O jovem que tem formação educacional ruim e não consegue colocação no
mercado de trabalho é recebido de braços abertos no tráfico",diz
Berenice Gianella,presidente da Fundação Casa."Os menores são mão de
obra farta e barata para o tráfico".
A fatia de jovens internados por tráfico em 2011 (26,6% do total) era
maior que a de adultos presos pelo mesmo motivo (24,4%).Hoje,o tráfico
só perde para o roubo entre os delitos que levam à apreensão de
adolescentes.
Veja os números:
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Folha de São Paulo


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