A pesquisa "Saneamento Básico – Regulação 2013",lançada nesta
segunda-feira (19) durante o 8º Congresso da Associação Brasileira das
Agências de Regulação (Abar),em Fortaleza,aponta que apenas uma em
cada duas unidades ligadas à rede de água encanada tem acesso a esgoto.
Segundo o levantamento,50,3% das ligações de abastecimento de água não
são complementadas com serviço de esgoto.Os números levam em conta as
cidades com regulação do serviço de saneamento --que corresponde a 48%
dos municípios brasileiros.As grandes metrópoles estão inclusas nesse
percentual.
"Desde os anos 70,o país priorizou o acesso à água e desprezou o
esgoto.Com a água,várias doenças foram controladas,saímos da idade
média.Mas esqueceram o esgoto,e ficamos mais de 20 anos sem
investimento",disse o presidente do instituto Trata Brasil,Edson
Carlos.
Segundo Carlos,a obra de esgoto deveria ser feita junto com a de água
encanada,mas acabou sendo desconectada dos planos políticos ao longo
dos anos."Como é uma obra que população não cobra,que está enterrada,sem charme,os políticos ainda preferem outra ações.Isso vem mudando,mas em muitas cidades ainda não é priorizado".
Infraestrutura deficitária
Carlos informou que o Brasil tem grande carência do serviço,quando
comparado a outros países."20% [dos brasileiros] não têm água tratada,e
menos da metade tem esgoto.Isso mostra quanto é deficitária essa
infraestrutura.Muita empresa não cumpre o seu papel de levar rede água e
esgoto a população",disse.
Além da falta de esgoto,a pesquisa mostrou que menos de 20% dos
municípios brasileiros concluiu planos de saneamento e correm risco de
ficarem sem recursos federais a partir do próximo ano.Segundo o
levantamento,apenas 922 municípios do total que têm serviço regulado
por agência já concluíram.
Além de baixo,o índice apresenta também concentração regional.A
pesquisa mostrou que 60% dos planos se concentram nos Estados de São
Paulo e Santa Catarina. A Lei do Saneamento,de 2007,prevê que a
partir de 2014,o município que não tiver um plano não poderá se
habilitar a receber recursos federais.
Sem pensar no custo
"O governo vai analisar em cima do planejamento para não gastar
dinheiro sem ter efetivamente um resultado.É o plano que indica as
prioridades",disse o presidente da Abar,José Luiz Lins dos Santos.
O professor de mestrado em gestão internacional da ESPM e sócio da
Pezco Microanalysis,Frederico Turolla,afirmou que,além de poucos
planos,muitos municípios fizeram projetos inexequíveis,visando apenas
ao cumprimento da condicionante.
"O planejamento,onde existe,está vindo muito desconectado
economicamente do serviço.Quando é para planejar,o pessoal quer tudo,e
fica difícil de converter em realidade.Da forma como o processo está
desenhado,com vantagens por se fazer o plano,faz-se sem pensar no
custo".
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