O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determinou nesta quinta-feira(18) o
acionamento de termoelétricas movidas a óleo combustível em todo o país
para suprir uma carga de 2.100 MW médios que deixarão de ser fornecidas
pelas hidrelétricas ao sistema.
A razão para essa decisão está no atraso das chuvas. O ONS só determina o
acionamento destas térmicas quando a situação é crítica.
O custo por MWh (megawatt hora) gerado nessas usinas é de R$ 700, muito
acima das térmicas a gás natural, que também já foram ligadas para
tentar frear a queda dos reservatórios do sistema elétrico brasileiro.
No alto verão --quando há abundância de água nos reservatórios--, as
hidrelétricas produzem energia a um custo inferior a R$ 50 por MWh, mas
isso não está ocorrendo neste momento.
Com o atraso das chuvas, o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças)
--índice utilizado pelo operador do sistema elétrico para precificar o
custo da geração a partir da oferta de energia disponível nas
hidrelétricas-- atinge agora níveis superiores a R$ 300 por MWh.
Como aumentou o risco de déficit no sistema, o operador determinou o
acionamento das térmicas a óleo combustível. O ONS disse que o sistema
de reservatórios de hidrelétricas no Sudeste e Centro-Oeste está 11,5%
acima da CAR (Curva de Aversão ao Risco).
Essa "curva de aversão" foi criada para calcular qual é o tamanho do
déficit de hidrelétricas no SIN (Sistema Interligado Nacional). Hoje,
esse risco não deveria superar 5% no sistema. No Nordeste, a curva está
5,3% acima do nível meta.
Desde setembro, o ONS sentiu a necessidade de ligar as térmicas a óleo,
mas retardou a decisão para evitar custos excessivos aos consumidores.
Agora, alega que não tem mais como esperar.
À ESPERA DAS CHUVAS
A expectativa agora é pela chegada das chuvas para a recomposição dos
reservatórios. No Sudeste e Centro-Oeste, o conjunto de reservatórios
das hidrelétricas está com 41,8% de sua capacidade.
No Nordeste, os reservatórios têm neste momento um volume equivalente a
37,4% de sua capacidade. No Sul, as hidrelétricas estão com uma reserva
de 38% e, no Norte, de 46%.
Até o final do verão, em março de 2013, as chuvas terão de recompor
essas reservas para que o país consiga cruzar o próximo período seco,
entre abril e outubro.
Se as chuvas, porém, frustrarem as expectativas, o país terá de manter
ligadas as térmicas por mais tempo, o que afetará as tarifas de energia
em 2013. Quando isso ocorreu, em 2008, o custo repassado aos
consumidores foi de quase R$ 3 bilhões.
Uma situação como essa tem potencial de reduzir os efeitos do corte
tarifário que o governo está prometendo para janeiro quando as novas
regras do setor elétrico entrar em vigor.
Com a MP 579, em discussão no Congresso Nacional, o governo autorizou a
renovação das concessões por mais 20 anos, mas quer em troca uma redução
média de 20% na conta de luz dos consumidores brasileiros.
A necessidade de maciça geração térmica pode, se alongado por muito
tempo, comprometer esse plano do governo. O país saberá qual o tamanho
da conta das térmicas apenas em 2013, após o período das chuvas.
A torcida do ONS é que o céu seja generoso.
Reproduzida do FolhadeSaoPaulo

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