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sábado, 22 de novembro de 2014

10 mulheres vítimas de violência por dia no Ceará

Entre os fatores que impedem a mulher de denunciar estão
a dependência econômica, ligação afetiva, medo e
dificuldade de acesso (Foto: Bruno Gomes)
No Ceará, 3.084 mulheres foram vítimas de violência doméstica, até outubro deste ano, uma média de dez agressões por dia no Estado. Em relação ao igual período de 2013, houve redução de 4% das denúncias (3.212). No ano passado, o número de mulheres vítimas de violência no Ceará foi 3.910.
É o que apontam dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Rena Gomes Moura, titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza, comenta que a quantidade de crimes é estarrecedora. Contudo, ressalta que esse número pode ser ainda maior, já que muitas mulheres ainda têm medo de denunciar.
"A gente trabalha para que essas violências sejam números reais e o poder público possa fazer intervenções". Em 2006, com a criação da Lei Maria da Penha, passou a haver uma mudança no perfil das denúncias registradas. Antes, as de lesão corporal eram as mais comuns. Com a criação da nova legislação, as mulheres passaram a denunciar antes mesmo da violência mais grave ocorrer. Predominaram, então, as denúncias de violência psicológica e moral.
Denúncia
Dependência econômica, ligação afetiva, medo e dificuldade de acesso aos órgãos que possam ajudá-la a sair dessa situação são fatores que interferem na hora da denúncia ser formalizada. "Como depende financeiramente do marido, muitas vezes, a mulher fica sem ter como refazer a vida. Outros casos envolvem a questão afetiva, pois ela vai denunciar o pai dos filhos, o homem que escolheu para constituir família", explica.
A antropóloga Jânia Perla Aquino, professora do Departamento de Ciência Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisadora do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), esclarece que não dá para dissociar essas violências da questão cultural. "Está muito enraizado no imaginário popular a ideia de que a masculinidade se define pela força, pela agressividade, enquanto a mulher tende mais para a fragilidade, associada à fraqueza. Isso resulta em certa complacência por parte da sociedade e de uma resiliência feminina", comenta.
A especialista avalia que, na esfera dos direitos, a punição avançou consideravelmente. Mas, na esfera dos valores, muito ainda tem de ser feito. A mudança é lenta e envolve campanhas educativas.
No Ceará há nove delegacias de defesa da mulher, em Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Crato, Iguatu, Juazeiro do Norte, Sobral, Quixadá e Pacatuba.

Com informações da repórter Luana Lima, do Diário do Nordeste

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