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Entre os fatores que impedem a mulher de denunciar estão
a dependência econômica, ligação afetiva, medo e
dificuldade de acesso (Foto: Bruno Gomes)
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No Ceará, 3.084 mulheres foram vítimas de violência doméstica, até
outubro deste ano, uma média de dez agressões por dia no Estado. Em relação ao igual período de 2013, houve redução de 4% das denúncias
(3.212). No ano passado, o número de mulheres vítimas de violência no
Ceará foi 3.910.
É o que apontam dados da Secretaria da Segurança
Pública e Defesa Social (SSPDS). Rena Gomes Moura, titular da Delegacia
de Defesa da Mulher de Fortaleza, comenta que a quantidade de crimes é
estarrecedora. Contudo, ressalta que esse número pode ser ainda maior,
já que muitas mulheres ainda têm medo de denunciar.
"A gente trabalha para que essas violências sejam números reais e o
poder público possa fazer intervenções". Em 2006, com a criação da Lei
Maria da Penha, passou a haver uma mudança no perfil das denúncias
registradas. Antes, as de lesão corporal eram as mais comuns. Com a
criação da nova legislação, as mulheres passaram a denunciar antes mesmo
da violência mais grave ocorrer. Predominaram, então, as denúncias de
violência psicológica e moral.
Denúncia
Dependência econômica, ligação afetiva, medo e dificuldade de acesso
aos órgãos que possam ajudá-la a sair dessa situação são fatores que
interferem na hora da denúncia ser formalizada. "Como depende
financeiramente do marido, muitas vezes, a mulher fica sem ter como
refazer a vida. Outros casos envolvem a questão afetiva, pois ela vai
denunciar o pai dos filhos, o homem que escolheu para constituir
família", explica.
A antropóloga Jânia Perla Aquino, professora do Departamento de Ciência
Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisadora do
Laboratório de Estudos da Violência (LEV), esclarece que não dá para
dissociar essas violências da questão cultural. "Está muito enraizado no
imaginário popular a ideia de que a masculinidade se define pela força,
pela agressividade, enquanto a mulher tende mais para a fragilidade,
associada à fraqueza. Isso resulta em certa complacência por parte da
sociedade e de uma resiliência feminina", comenta.
A especialista avalia que, na esfera dos direitos, a punição avançou
consideravelmente. Mas, na esfera dos valores, muito ainda tem de ser
feito. A mudança é lenta e envolve campanhas educativas.
No Ceará há nove delegacias de defesa da mulher, em Fortaleza, Caucaia,
Maracanaú, Crato, Iguatu, Juazeiro do Norte, Sobral, Quixadá e
Pacatuba.
Com informações da repórter Luana Lima, do Diário do Nordeste

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