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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Projeto sobre unificação das polícias divide militares e civis

Uma polêmica proposta em tramitação no Senado vem movimentando batalhões de todo o país e colocando em lados opostos oficiais e praças: a chamada desmilitarização da Polícia Militar.O texto é de autoria do senador Lindbergh Farias (PT-SP) e altera a Constituição Federal de forma a reorganizar a PM no que diz respeito à formação e ao treinamento dos policiais e,principalmente,a acabar com a rigidez da instituição,dando maior autonomia para os profissionais.
Na prática,se o projeto for aprovado sem modificações pela maioria dos 81 senadores,caberá a cada estado unificar as hoje existentes PM e Polícia Civil, criando um novo grupo,de natureza civil,para atuar de forma ostensiva, preventiva e investigativa.
A justificativa do autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 51 é que os “vícios da arquitetura constitucional” da segurança pública contribuem para o quadro “calamitoso” do setor no Brasil.“O ciclo da atividade policial é fracionado,as tarefas de policiamento ostensivo,prevenindo delitos,e de investigação de crimes são distribuídas a órgãos diferentes.A função de policiar as ruas é exclusiva de uma estrutura militarizada,força de reserva do Exército,a Polícia Militar,formada, treinada e organizada para combater o inimigo,e não para proteger o cidadão”, alega o senador Lindbergh Farias,para quem a desmilitarização da PM e a repactuação das responsabilidades vai gerar uma atuação de forma “mais humanizada” e romper com o “quadro dramático” da segurança no país.
Mas não é o que pensa o presidente da Federação Nacional das Entidades de Oficiais Militares Estaduais (Feneme),coronel Marlon Jorge Teza.Para ele,a PEC desconstitui o sistema de segurança pública,ao deixar nas mãos de cada estado a tarefa de montar o seu sistema policial,e ainda ignora um dos principais gargalos do setor:a definição de um percentual mínimo da receita para o seu financiamento, assim como acontece na saúde e na educação.Ele lembra ainda que há várias décadas vem sendo discutida a unificação das polícias,e a ideia sempre fica no papel por falta de consenso.“Nenhum país tem uma polícia única.A divisão é que garante o equilíbrio do estado democrático.Com a unificação,a sociedade fica refém de uma só polícia.”
Outro ponto questionado pelo coronel é o polêmico regime hierárquico dentro dos batalhões,que deixaria de existir.“Nas polícias de grande porte,que é a PM de todo o país,você tem que manter a ordem de um grande efetivo.Isso é diferente de ter meia dúzia de policiais trabalhando em uma delegacia.Não há como manter um efetivo forte sem hierarquia.Corre-se o risco de,no futuro,termos uma verdadeira balbúrdia”,alerta o coronel reformado da PM de Santa Catarina.Integrante da Comissão Nacional de Segurança Pública – grupo vinculado ao Ministério da Justiça,o coronel Marlon Jorge diz que já participou de reuniões no Senado em que tentou convencer os senadores de que é preciso um melhor debate sobre o assunto.
A Associação Nacional dos Militares do Brasil (ANMB),entidade que engloba homens da PM e Forças Armadas – não acredita que a PEC vá trazer reflexos práticos para a segurança dos brasileiros.Mas vai fazer diferença para o Exército.É que a PM e o Corpo de Bombeiros fazem parte do quadro de reserva das Forças Armadas.“Se desmilitarizarem a PM,vamos perder o controle disso e ainda enfraquecer o Exército”,pondera o presidente da ANMB e sargento reformado do Exército Marcelo Machado.
Para ele,ainda é preciso ficar mais claro como será a estrutura de cargos,funções e hierarquia dentro da polícia unificada.“Isso deve ser definido antes da aprovação da PEC”,argumenta.
Parceiros 
Representantes da Polícia Civil mineira são favoráveis à unificações.Pelo menos o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindipol).O presidente da entidade, Denilson Martins,argumenta que uma carreira única significará redução do gasto público e mais eficiência das polícias.“Proteger e servir os cidadãos não é uma política da PM.A doutrina dela é obedecer o comando.Com a unificação,você muda a ótica para a prestação do serviço”, acredita Martins,que é investigador da Polícia Civil.De acordo com ele,o trabalho poderá ser dividido com um segmento voltado para a prevenção ostensiva e outro para a investigação dos crimes.“Hoje temos dois institutos que deveriam ser parceiros,e não são”,diz.O comando da PM foi procurado pela reportagem para comentar o assunto,mas preferiu não se manifestar. 
Enquete 
O Senado realizou entre os dias 5 e 15 de maio,em seu site,uma enquete sobre a desmilitarização da PM.Recebeu no total 98.648 votos.Desses,54% disseram que são contra a mudança e 46% a favor.Além da divulgação feita pelo Senado,a enquete foi amplamente disseminada por internautas que se mobilizaram em blogs e redes sociais.O participante foi submetido à seguinte pergunta: “Você é a favor ou contra a proposta que desmilitariza o modelo policial,convertendo as atuais polícias Civil e Militar em uma só,de natureza civil?”
O que diz a PEC 51 
Todo órgão policial deverá se organizar em ciclo completo,responsabilizando-se cumulativamente pelas tarefas ostensivas,preventivas,investigativas e de persecução criminal.A carreira deverá ser única.
Os estados e o Distrito Federal terão autonomia para estruturar seus órgãos de segurança pública,inclusive quanto à definição da responsabilidade do município.
A proposta apresenta dois modelos de polícias
  • Polícia municipal:responsável por atuar apenas contra crimes de pequeno potencial ostensivo no município.
  • Polícia unificada civil estadual: responsável pela segurança de toda a população do estado,atuando contra todo tipo de criminalidade e infração,exceto nos crimes cobertos pela polícia municipal,onde houver.



Com informações do Diário de Pernambuco

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