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| A juíza aposentada Maria Odele de Paula Pessôa revisa o episódio da
morte
de um dos mártires da Confederação do Equador (Foto:Alex Costa) |
A morte do militar - de quem Maria Odele é sobrinha-trineta - acaba de
completar 189 anos.À memória do mártir,ela dedica 400 páginas de uma
densa investigação criminal,que dá substância ao livro "Pessôa Anta -
Execução ou Assassinato?".O lançamento aconteceu na noite da última quarta-feira (07),no Náutico
Atlético Cearense, com apresentação do advogado Marcelo Vinícius
Gouveia Martins, tetraneto do herói.
O livro é dividido em duas partes.Inicia por um resgate histórico dos
anos que sucederam à Independência do Brasil e da atuação dos
protagonistas da Confederação do Equador,insurgência que,em
1823,mobilizou Ceará,Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte - contra
ações do imperador Dom Pedro I.
Na segunda parte,a autora se debruça especificamente sobre o processo
que resultou na morte de Pessôa Anta."Todo registro que existe sobre o
período aqui é coligido,perquirido,analisado, confrontado.Conduzi
essa investigação com muito cuidado e zelo.Não sei se pela atividade
que exerci,de magistrada na área criminal, sempre me preocupei muito
com a verdade.Fui atrás de tudo",diz.
A hipótese defendida por ela é de que a condenação e morte por arcabuz
de seu ascendente fugiu aos trâmites legais do período e teria sido
motivada por vingança pessoal,de um desafeto político.
Bravura
Sargento-mor das Ordenanças da Vila de Granja,na região da Ibiapaba
(divisa entre Ceará e Piauí),Pessôa Anta participou ativamente do
movimento pró-independência, lutando em apoio ao imperador,Dom Pedro
I,para consolidar a libertação do domínio português."A independência não
se consumou com o grito do Ipiranga.Houve muitas lutas, em várias
vilas.Pessôa Anta chegou a enfrentar 8 mil homens que tentaram entrar
no Ceará vindos da Parnaíba.Comandou unidades de primeira,segunda e
terceira linha,quando ainda não tinha patente para isso. Sustentou
inclusive parte das tropas com recursos próprios",narra a autora,
destacando a contribuição do mártir à Independência do Brasil.
Na época da independência,o então sargento foi condecorado com a mais
alta comenda do Império e promovido a coronel de milícias.Durante sua
ausência,em meio às lutas,o coronel perdeu a esposa,que deixou quatro
filhos sob sua única responsabilidade.O fato,explica a autora,recairia posteriormente como facilitador de sua captura.
É que já em 1823,após Dom Pedro I dissolver a Assembleia
Constituinte,que preparava a nova carta magna do País,e tentar impor um
outro
documento,os estados do Norte reagiram,no levante liberal que ficou
conhecido como Confederação do Equador."O Sul aplaudia tudo que o
imperador fazia.O Norte não",pontua a autora.
A Confederação eclode,ganha apoio de Pessôa Anta,mas é rapidamente
reprimida. "Granja aderiu ao movimento.Mas quando Pessôa Anta viu que
estava tudo em retalhos,o morticínio que aconteceu em Pernambuco,ele
conclama o povo e diz:'vamos prestar obediência ao imperador.Está
perdida a causa'",narra.
Antes da rendição,um outro episódio selaria o destino do coronel de
Granja.De passagem pela cidade,fugindo dos confederados,o português
Marcos Antônio Brício,que ocupava cargo na Fazenda Pública,durante o
governo,deposto, de Costa Barros,foi hostilizado pelos moradores,que
borraram de fezes a porta de sua hospedaria.
Atribuindo a humilhação às ordens de Pessôa Anta,Brício teria passado a
persegui-lo.De volta ao Ceará,para compor a Comissão Militar que
julgaria os participantes da Confederação,chefiada pelo tenente-coronel
Conrado Jacob de Niemeyer,o português tornou-se o carrasco do coronel
granjense."Diz o Barão de Studart que Brício vinha com a incumbência de
colher 'à mão' Pessôa Anta", reforça.
Reabilitação do mártir
A Comissão Militar abriu os trabalhos em 22 de abril de 1825.Oito dias
depois, Pessôa Anta foi executado,juntamente com Padre Mororó,onde
atualmente se localiza o Passeio Público,em Fortaleza.Para isto,os
militares cometeram uma sequência de irregularidades processuais e
preterição de direitos,afirma a autora, que detalha ponto a ponto no
livro.
Maria Odele pretende entrar com um processo de revisão criminal da pena
de morte de Pessôa Anta,no Superior Tribunal Militar,em
Brasília,para,em seguida, requerer sua reabilitação no exército,para que
lhe
sejam devolvidas todas as honrarias militares às quais fez jus pela
bravura com que conduziu nas lutas pela Independência.Apesar dos
documentos específicos sobre o caso terem sido perdidos, para a juíza
aposentada,há elementos suficientes para decretar a ilegalidade do
processo.
"Pessôa Anta,antes de ser submetido a um julgamento,já estava
condenado.A morte dele foi preordenada.Foi um assassinato",conclui a
autora.Mas,cabe ao leitor,pondera,concordar ou não com seu juízo."O
pronunciamento final é do leitor. As provas estão aí,pela primeira
vez",completa.
Mas quem foi Pessoa Anta?
João
de Andrade Pessoa Anta nasceu no município de Granja,no interior do
Ceará,no dia 23 de dezembro de 1787,e faleceu em Fortaleza no dia 30 de
abril de 1825.Foi comerciante e pecuarista.Por D. João VI foi muito cedo
nomeado sargento-mor de ordenanças,mais tarde capitão-mor da Vila de
Granja e por D. Pedro I foi nomeado coronel de milícias,sendo
condecorado com o Oficialato da Imperial Ordem do Cruzeiro.Mártir da
Confederação do Equador,movimento republicano que lutou contra a
concentração de poder e o absolutismo da Constituição brasileira de
1824.
Sua
ação na defesa pelos ideais de liberdade que levaram a Independência do
Brasil começaram com sua participação na Guerra da independência do
Brasil,em especial na Batalha do Jenipapo ocorrida no Piauí.Participação
essa que lhe rendeu a condecoração de Oficial da Imperial Ordem do
Cruzeiro.
Foi
o segundo filho do capitão-mor Tomás Antônio Pessoa de Andrade e de
Francisca Maria de Jesus Mota.Era irmão do ex-senador Francisco de Paula
Pessoa
e do ex-deputado provincial José Raimundo Pessoa de Andrade.Casou-se
com Raimunda Ferreira Veras,com quem teve quatro filhos:
Francisca,Maria,Ana e Tomás Rodolfo de Andrade Pessoa.
Foi
executado em Fortaleza no local chamado de "Campo da Pólvora" junto com
Padre Mororó,local que hoje é chamado de Praça dos Mártires em memória
dos que foram ali executados pela causa nacional.No Instituto do Ceará
encontra-se o seu Testamento,ao qual revela com pormenores seus
bens,dívidas a serem quitadas e a lisura e integridade do seu caráter.
"Conta-se
que Andrade estando,um dia,bastante sucumbido,Padre Mororó lhe dissera:
Oh! Andrade,o que tens? Anda...Come e bebe,deixa-te de fraqueza!Não
sabes que os
homens de bem,os que plantaram a sublime árvore da liberdade,não
duvidam afrontar os maiores tormentos e arrastar horríveis cadeias?A
medonha presença do cadafalso não faz gelar o ardente sangue,que
circula em suas veias.Sê,pois,constante,comamos e
bebamos.Então,Andrade, tornando-se mais alegre,comeu e bebeu
apresentando aquela mesma fortaleza de espírito com que Padre Mororó se
conservava."
Da Redação da Folha Granjense,com informações do Diario do Nordeste e tendo o Wikipédia como fonte de pesquisa
Da Redação da Folha Granjense,com informações do Diario do Nordeste e tendo o Wikipédia como fonte de pesquisa


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