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domingo, 26 de janeiro de 2014

Nordeste lidera proporção de pessoas sem emprego e que não buscam trabalho

Além da maior taxa de desemprego do país,a região Nordeste abriga a maior proporção de pessoas que não trabalham nem procuram ocupação -e esse percentual está crescendo.
O descompasso entre o mercado de trabalho nordestino e o do resto do país ficou evidente com a nova pesquisa de emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),que passou a coletar dados em todo o território nacional.Enquanto a apuração anterior,limitada às maiores metrópoles,sugeria um cenário de pleno emprego,os novos números mostraram que no Nordeste 10% procuram uma vaga sem conseguir.
Além disso,na região,43,9% das pessoas consideradas em idade de trabalhar -de 14 anos de idade ou mais- estão fora do mercado,por opção ou por desalento.No país,o percentual médio é de 38,5%.
Não parece difícil imaginar por que os números nordestinos são mais elevados que os das demais regiões: pobreza,setor empresarial menos estruturado e menor participação do trabalho feminino são explicações plausíveis. 
Mais complicado é explicar por que a força de trabalho está encolhendo no Nordeste,como mostram números calculados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada,ligado ao Palácio do Planalto).
Montado a partir de pesquisas populacionais do IBGE,o banco de dados do Ipea aponta que,em dez anos,a população economicamente ativa -quem trabalha e quem procura emprego- caiu de 55,7% para 51,8% da população em idade ativa (nesse cálculo,entram pessoas com dez anos de idade ou mais).
Nesse período,de 1992 a 2012,o percentual cresceu no Sudeste,no Centro-Oeste e no Norte,com leve queda no Sul.O Nordeste,que fez cair o percentual do país,teve crescimento econômico acima da média nacional.
"É um certo paradoxo",diz a pesquisadora Ana Luiza Neves,do Ipea.Um estudo do instituto mostra que,de 2009 para cá,a força de trabalho diminuiu em todas as regiões -e a queda nordestina foi a mais aguda.
Segundo os dados nacionais,boa parte dessa diminuição se deve a jovens que retardam o ingresso no mercado -na melhor das hipóteses,porque podem estudar mais;na pior,porque não acreditam nas suas chances de conseguir uma ocupação.
As pesquisas disponíveis ainda não permitem identificar com segurança se o encolhimento da força de trabalho está mais ligado a bons ou maus motivos,mas o Ipea adianta que,entre os brasileiros de 15 a 24 anos de idade,40,6% das mulheres e 25,7% dos homens estão fora da escola.
BENEFÍCIOS SOCIAIS
Para o economista Miguel Pinho Bruno,estudioso do mercado de trabalho,a maior oferta de educação e benefícios sociais deu opções para jovens e adultos.

"Em vez de aceitar imediatamente um emprego de baixa remuneração,a pessoa pode ficar na escola ou recorrer a algum programa social."
Ele é cauteloso,porém,ao relacionar os programas de renda,como o Bolsa Família,à redução da força de trabalho no Nordeste,porque os dados sobre isso ainda são precários.
Ana Luiza Neves não acredita nessa hipótese:"A evidência empírica mostra que o impacto desses programas no mercado de trabalho é quase nulo". 


Com informações da Folha de São Paulo

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