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sábado, 14 de dezembro de 2013

Barroquinha quer recuperar mangue

(Foto:Jéssyca Rodrigues)
Na localidade de Picada Nova, no município de Barroquinha, região do Extremo-norte do Ceará, o desgaste do mangue e ações de exploração têm preocupado moradores, que dependem dele para complementar a renda. A localidade aderiu ao projeto Jovens Protetores do Mangue e já estuda primeiros movimentos a fim de recuperar a vegetação. A implantação de um novo viveiro de criação de camarão é um dos fatores que aumentam a apreensão.
De acordo com a diretora da Escola de Ensino Infantil João Antunes de Aguiar, Maria Lima Viana, nos últimos cinco anos o mangue presente na região vem sofrendo desgaste e o ecossistema se encontra fragilizado. “Alguns anos atrás o mangue era muito rico e a ecologia era intacta pelo homem. Hoje mais de 70% dessa vegetação não existe mais”, lamentou. Essa intensa diminuição afeta diretamente a renda familiar da comunidade,que tem pouco mais de 600 pessoas.
Maria explica que a principal fonte de renda de Picada Certa vem dos programas sociais e agricultura, sendo a pesca do mangue um importante complemento que vem diminuindo. “Quase todas as famílias aqui fazem parte de um programa social, têm uma pequena produção em casa e pescavam no mangue para completar a renda. De cinco anos para cá,essa pesca vem diminuindo, pois parte do local foi cercado para a criação de camarão”, destaca.
Segundo a professora, a noticia de uma implantação de um novo viveiro tem deixado a comunidade apreensiva, pois desmataria toda a área de mangue que ainda é usada pela comunidade. “Sem o mangue, além da perda total da nossa área de vegetação típica, muitas famílias irão passar problemas financeiros”.
As crianças foram levadas até a área mais desgastada do mangue a fim de entender o que vem acontecendo na região. Lá elas encontraram pequenos caranguejos em baixa quantidade e muitas conchas de sururu e ostras mortas. A partir daí, Maria afirma que a disposição delas para a proteção ambiental despertou e a comunidade deve começar ações que visem restauração do mangue, conservação do peixe e crustáceo, além da conscientização, principalmente das pessoas mais idosas sobre a necessidade de preservação.
De acordo com o ambientalista Jorge de Moura, a área de manguezal é protegida por lei federal que transforma a região em Área de Preservação Permanente. “Desmatar mangue é crime federal. As áreas em que se encontram esse tipo de vegetação deverá ser mantida pelo proprietário da área, independente de ser poder publico ou privado”, destaca. Com isso, Jorge explica que o desmatamento para a implantação de um viveiro de camarão se caracteriza como crime ambiental.
Segundo o coordenador de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Barroquinha, Reginaldo da Silva Mota, que acompanhou a visita de Jorge e os alunos até a área afetada, os proprietários da terra e do tanque de criação de camarão serão chamados a se reunir com a Prefeitura a fim de discutir o problema. “Nosso foco é que o município se desenvolva de maneira sustentável. Com os problemas identificados, nossa ação será chamar os empresários e proprietários junto aos órgãos responsáveis e conversarmos alternativas para recuperar e preservar as áreas”, ressalta ele.

 Com informações do Diario do Nordeste

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