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| (Foto:Jéssyca Rodrigues) |
Na localidade de Picada Nova, no município de Barroquinha, região do Extremo-norte do Ceará, o desgaste do mangue e
ações de exploração têm preocupado moradores, que dependem dele para
complementar a renda. A localidade aderiu ao projeto Jovens Protetores
do Mangue e já estuda primeiros movimentos a fim de recuperar a
vegetação. A implantação de um novo viveiro de criação de camarão é um
dos fatores que aumentam a apreensão.
De acordo com a diretora da Escola de Ensino Infantil João Antunes de
Aguiar, Maria Lima Viana, nos últimos cinco anos o mangue presente na
região vem sofrendo desgaste e o ecossistema se encontra fragilizado. “Alguns anos atrás o mangue era muito rico e a ecologia era intacta pelo
homem. Hoje mais de 70% dessa vegetação não existe mais”, lamentou. Essa intensa diminuição afeta diretamente a renda familiar da comunidade,que tem pouco mais de 600 pessoas.
Maria
explica que a principal fonte de renda de Picada Certa vem dos
programas sociais e agricultura, sendo a pesca do mangue um importante
complemento que vem diminuindo. “Quase todas as famílias aqui fazem
parte de um programa social, têm uma pequena produção em casa e pescavam
no mangue para completar a renda. De cinco anos para cá,essa pesca vem
diminuindo, pois parte do local foi cercado para a criação de camarão”, destaca.
Segundo a professora, a noticia de uma implantação de
um novo viveiro tem deixado a comunidade apreensiva, pois desmataria
toda a área de mangue que ainda é usada pela comunidade. “Sem o mangue, além da perda total da nossa área de vegetação típica, muitas famílias
irão passar problemas financeiros”.
As crianças foram levadas até
a área mais desgastada do mangue a fim de entender o que vem
acontecendo na região. Lá elas encontraram pequenos caranguejos em baixa
quantidade e muitas conchas de sururu e ostras mortas. A partir daí, Maria afirma que a disposição delas para a proteção ambiental despertou e
a comunidade deve começar ações que visem restauração do mangue, conservação do peixe e crustáceo, além da conscientização, principalmente das pessoas mais idosas sobre a necessidade de
preservação.
De acordo com o ambientalista Jorge de Moura, a área
de manguezal é protegida por lei federal que transforma a região em
Área de Preservação Permanente. “Desmatar mangue é crime federal. As
áreas em que se encontram esse tipo de vegetação deverá ser mantida pelo
proprietário da área, independente de ser poder publico ou privado”, destaca. Com isso, Jorge explica que o desmatamento para a implantação
de um viveiro de camarão se caracteriza como crime ambiental.
Segundo
o coordenador de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Barroquinha, Reginaldo da Silva Mota, que acompanhou a visita de Jorge e os alunos
até a área afetada, os proprietários da terra e do tanque de criação de
camarão serão chamados a se reunir com a Prefeitura a fim de discutir o
problema. “Nosso foco é que o município se desenvolva de maneira
sustentável. Com os problemas identificados, nossa ação será chamar os
empresários e proprietários junto aos órgãos responsáveis e conversarmos
alternativas para recuperar e preservar as áreas”, ressalta ele.
Com informações do Diario do Nordeste

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