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| Em Granja,a pobreza extrema atinge 54,93 da população(Foto:Studio Nilo) |
Dos 184 municípios cearenses,178 conseguem obter apenas 4,3% de
receitas próprias,tais como o Imposto Sobre
Serviços,Imposto Predial,Territorial e Urbano (IPTU) e o Imposto de
Transmissão de Bens Imóveis
(ITBM).Cerca de 90% das cidades contam com mais de 80% do dinheiro que
entra em casa como fruto de transferências do Estado e,sobretudo,da
União.Como vencer essa dependência de verbas como o Fundo de
Participação dos Municípios (FPM) e o Fundo de Desenvolvimento da
Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação
(Fundeb),como principais repasses de recursos,foi um desafio proposto
pelo
Governo do Estado para os prefeitos que iniciam uma nova gestão.
O
entendimento de que os
gestores devem procurar novas fontes de receitas é considerado como
vital,mesmo porque o atual modelo mantém faixas da população na extrema
pobreza,sendo que essa situação atinge de 49% a pouco mais da metade
dos habitantes em pelo menos 10 municípios.São esses (percentual por
população): Moraújo (49,46%), Amontada (50,33%), Itatira (50,47%),
Araripe (50,69%), Salitre (50,81%), Santana do Acaraú (51,64%), Croatá
(52,92%), Choró (52,92%), Granja (54,93%) e Miraíma (55,02%).
O
governador Cid Gomes,que esteve na terça-feira(22) na abertura do
Encontro Aprece Novos Gestores Municipais 2013-2016,reconhece que não
há saída a curto ou até mesmo a médio prazo,mas lembra que alguma
coisa deve ser feita.
"Não estamos pedindo de pires na mão,isso
porque há amparo constitucional para essas transferências",afirmou o
governador. Porém,observa que os municípios precisam cobrar mais
impostos,a fim de que possam ter um caixa próprio para investimentos e
também como prevenção diante das crises econômicas ou qualquer outro
fator que impactam nos repasses.
O Ceará é o sétimo Estado brasileiro mais pobre com relação ao quantitativo de pessoas vivendo em extrema pobreza (com renda domiciliar de até um quarto do salário mínimo).Pelos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (com base no censo de 2010) esta situação atinge 17,8% da população,enquanto que a média nacional é de 8,5%.
O Ceará é o sétimo Estado brasileiro mais pobre com relação ao quantitativo de pessoas vivendo em extrema pobreza (com renda domiciliar de até um quarto do salário mínimo).Pelos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (com base no censo de 2010) esta situação atinge 17,8% da população,enquanto que a média nacional é de 8,5%.
Responsabilidades
Para
o presidente
do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece),Flávio
Ataliba,o verdadeiro desafio é para que os municípios passem a
contribuir mais com ações de desenvolvimento,que implicam no
crescimento do Estado.
"O
Estado é uma entidade subjetiva.O que
existe de fato é o município.Agora,não se pode é deixar toda a
responsabilidade de desenvolvimento nas costas do Governo Federal",disse
Flávio Ataliba.Para ele,há a necessidade dos municípios não
apenas cobrarem mais impostos mais também realizar práticas de
planejamento.Um passo inicial,conforme disse,é obter informações.
Para isso,informa que o Ipece se coloca à disposição dos prefeitos
cearenses.
O presidente do Ipece ressalta que é preciso saber o
potencial e limites de cada município.Daí trabalhar com informações,sendo muito importante as realizadas pelos censos do IBGE.
"Não faltam recursos dos governos Federal e Estadual.O que faltam muitas vezes são bons projetos",afirmou.
Pacto federativo
O
economista Irineu Carvalho,também consultor financeiro da Associação
dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece),é uma voz que tem
amplificado a dificuldade de gestão por conta do atual modelo.
Já no final de dezembro passado,Irineu mostrou que 2012 foi o pior ano no crescimento dos repasses dos FPM e Fundeb.
Como
o FPM tem por base a arrecadação do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) e o Imposto de Renda,que tiveram,respectivamente,isenção e redução no recolhimento por conta do fraco
crescimento industrial,houve um comprometimento do repasse do Fundo em
todo o País.
No Brasil,a e expectativa é que houvesse um aumento
superior a 14%,enquanto que a realidade demonstrou não permitir um
índice superior a 2,33%.
Isto aconteceu quando ocorreu o maior
aumento da folha salarial da última década ocasionado pelos reajustes do
salário mínimo e do piso do magistério.Com isso,há um acúmulo de
dívidas contraídas no ano passado,que vão desde pagamento de pessoal
até inadimplência com fornecedores,e que devem ser pagas nas atuais
gestões.A menos que haja uma negociação,especialmente relacionada a um
parcelamento dos débitos."Hoje as receitas somente pagam as dívidas
deste ano",observou.
Irineu concorda que cobrança de novos
impostos não é muito consequente.Disse que os gastos dos municípios
passaram a ser maiores,apesar das transferências.Cita os casos dos
compromissos com a saúde e educação, que hoje demandam mais
investimentos. Para ele,a saída é um novo pacto federativo,em que se
estabeleça o papel de responsabilidade de cada ente e,assim,também
sejam estabelecidas as receitas.
FPM é a principal receita dos municípios
De todas as receitas que compõem o orçamento das cidades é o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) a mais importante. Trata-se de uma transferência constitucional da União para os Estados e o Distrito Federal,composto de 22,5% da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
De todas as receitas que compõem o orçamento das cidades é o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) a mais importante. Trata-se de uma transferência constitucional da União para os Estados e o Distrito Federal,composto de 22,5% da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
A distribuição dos
recursos é feita de acordo com o número de habitantes,onde são fixadas
faixas populacionais,cabendo a cada uma delas um coeficiente
individual.Os critérios atualmente utilizados para o cálculo dos
coeficientes de participação dos Municípios estão baseados na Lei n.º.
5.172/66 (Código Tributário Nacional) e no Decreto-Lei N.º 1.881/81.
Anualmente
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga
estatística populacional dos municípios e o Tribunal de Contas da União
(TCU),com base nessa estatística,publica no Diário Oficial da União os
coeficientes dos municípios.
Fonte:Diario do Nordeste

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