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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Apneia do sono pode dobrar o risco de câncer fatal


Estudo diz que privação de oxigênio durante o sono eleva chances do problema.Apneia do sono pode ser diagnosticada pelo som do ronco.

Pessoas com apneia do sono, distúrbio que provoca ronco e perigosas pausas na respiração durante a noite, podem ser duas vezes mais propensas a morrer de câncer do que aqueles que dormem profundamente. Os resultados são da La Fe University, na Espanha, e foram revelados essa semana no congresso European Respiratory Society, em Viena. 
Os autores estudaram mais de 5.600 pacientes de clínicas do sono, sendo que nenhum deles tinha qualquer tipo de câncer. Eles analisaram a quantidade de oxigenação do sangue dos participantes durante a noite e quantos apresentavam episódios de hipoxemia ? quando a quantidade de oxigênio no sangue fica abaixo dos 90%.
Após sete anos de pesquisa, os cientistas concluíram que quanto maior o grau de hipoxemia, maior era o risco de a pessoa receber um diagnóstico de câncer.
De acordo com os pesquisadores, aqueles que passaram mais de 14% do seu sono com provação de oxigênio tinham o dobro do risco de sofrer um câncer fatal do que aqueles sem apneia do sono. Os médicos aconselham os pacientes a receber tratamento, porque a manutenção dos níveis de oxigénio durante a noite pode reduzir o risco de desenvolvimento de câncer e outras doenças relacionadas.

Apneia não tem cura, mas pode ser controlada 

Roncar e ter falta de ar enquanto dorme não é normal. Esses sintomas podem indicar a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono. "A doença diminui a qualidade de vida da pessoa e aumenta a taxa de mortalidade, visto que pode favorecer o aparecimento de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e obesidade", alerta Lia Bittencourt, coordenadora médica do Instituto do Sono e professora de Medicina e Biologia do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Fique de olho! 

Alguns fatores de risco para apneia são: ser do sexo masculino, estar acima do peso, entrar na menopausa e consumir álcool com muita frequência. "Outras causas são obesidade, anormalidades endócrinas ou craniofaciais, como hipotireoidismo e hipoplasia maxilomandibular, e predisposição genética", diz Lia Bittencourt.  Mude os hábitos para dormir melhor 

A apneia do sono raramente tem cura. "Somente em casos de emagrecimento considerável ou de cirurgias de amígdala e adenoide em crianças ocorre a cura completa", explica a médica do Instituto do Sono. Mas a doença é controlável. "Perder peso, evitar bebidas alcóolicas antes de ir para a cama, evitar dormir de barriga para cima e tratar doenças do nariz e da garganta são atitudes essenciais para o controle da apneia."  

Aparelhos que ajudam no tratamento

Pode contribuir com a melhora dos sintomas o uso de um aparelho elétrico chamado CPAP (sistema de pressão positiva contínua das vias aéreas), que gera um fluxo de ar através de uma máscara no nariz, abrindo a garganta. Equipamentos intrao-rais, que tracionam a mandíbula para abrir passagem para o ar durante a noite também podem ajudar. "Operações de garganta e ossos da face são pouco utilizadas atualmente, pois a chance de sucesso é pequena, mas são uma opção", afirma Lia.
 Apneia do sono pode ser diagnosticada pelo som do ronco
Certa vez, durante um congresso, o físico Adriano Alencar dividiu o quarto com um colega que sofria de apneia do sono. Após uma noite em claro devido aos roncos, ele se perguntou por que não havia conseguido dormir. "Percebi que o problema não era o barulho do ronco, mas a irregularidade dos ruídos."
O "insight" foi o estopim de um experimento que ele, o médico Geraldo Lorenzi-Filho, do Laboratório do Sono do Incor, e colegas da USP realizaram, rendendo um artigo que será publicado em breve no periódico "Physica A".
Nele, os pesquisadores apresentam uma maneira alternativa de diagnosticar a apneia obstrutiva do sono, baseada na análise das irregularidades do ronco. A doença, estima-se, atinge 32% da população da Grande São Paulo e pode aumentar o risco de problemas como doenças do coração e diabetes.
O diagnóstico padrão é feito por meio da polissonografia, um exame que avalia uma série de dados durante o sono, como ondas cerebrais, respiração e oxigenação sanguínea. Mas, para fazê-lo, o paciente precisa passar a noite toda no consultório.
O ronco é um fenômeno comum e, muitas vezes, não está ligado a nenhuma doença. Por outro lado, o ronco irregular é um dos principais indicadores de apneia do sono.
Segundo Alencar, que é professor do Instituto de Física da USP, "outros pesquisadores procuraram entender a relação entre ronco e apneia pela intensidade do barulho ou pela frequência.
Nós simplificamos o modelo e nos baseamos apenas nos intervalos irregulares entre um ronco e outro".
No experimento, 17 pacientes do laboratório do sono do Incor foram submetidos a uma polissonografia e, ao mesmo tempo, seu ronco era gravado. Os sinais acústicos foram analisados por um software desenvolvido pelos próprios pesquisadores.
Eles partiram da hipótese de que, em pacientes com apneia do sono, os intervalos entre um ronco e outro ocorreriam entre 10 s e 100 s, e propuseram um índice baseado no número desses intervalos dividido pelo tempo.
A comparação desse índice com a medida padrão, o número de eventos de apneia registrados numa noite dividido pelo tempo, apresentou uma correlação expressiva. 
 O próximo passo, já em andamento, é repetir o experimento com 200 pacientes. Desta vez, os pesquisadores vão submetê-los primeiro ao diagnóstico pelo ronco e conferir se os resultados batem com os da polissonografia.
Para Simone Fagondes, do Departamento do Sono da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, "os resultados da pesquisa são promissores, e o estudo representa um importante avanço para estabelecer parâmetros e recomendações para a avaliação e a classificação do ronco, além de ter confirmado a relação entre o ronco e a apneia do sono."
Alencar afirma que a ideia não é substituir o diagnóstico padrão pela análise do ronco. "Nossa proposta é de um complemento, um pente fino, que indicará ou descartará o uso do exame mais detalhado nos pacientes". 
 Fonte:FolhaPress e minhavida.com

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