O número de detentos no sistema penitenciário brasileiro cresceu 5,37%
entre 2012 e 2013. A informação consta nos dados do 8º Anuário de Segurança Pública,
divulgado hoje (11) pela organização não governamental Fórum Brasileiro
de Segurança Pública (FBSP).
Do total de quase 538 mil presos, 61,7% são
negros, o que significa que essa população é 18,4% mais encarcerada.
Pretos e pardos também são os que mais morrem violentamente,
representando 68% dos homicídios no país.
Apesar do crescimento do número de detentos, o total de vagas nos
presídios cresceu em ritmo inferior, resultando em um déficit de 220 mil
vagas no sistema. De acordo Renato Sérgio de Lima, vice-presidente do
Conselho de Administração do fórum, a morosidade do Judiciário é um dos
fatores que agrava a situação. “Temos uma situação em que 40% dos presos
são provisórios e estão aguardando julgamento. Essa já era uma situação
apontada no último relatório”, declarou Renato Sérgio de Lima,
vice-presidente do Conselho de Administração do fórum.
O professor Oscar Vilhena, diretor da Escola de Direito da Fundação
Getulio Vargas (FGV), avalia que os dados relacionados à população negra
revelam uma ação seletiva das polícias. “Há um racismo socialmente
partilhado, do qual a polícia não está livre. Os policiais também
repetem os padrões de discriminação que ocorrem na sociedade
brasileira”, declarou. Jovens com idade entre 18 e 29 anos também são
alvo dessa seletividade por parte das forças de segurança. Esse segmento
representa 54,8% dos encarcerados e 53,3% das vítimas de homicídio.
A maior parcela da população carcerária (49%) encontra-se reclusa em
razão de crimes contra o patrimônio. O tráfico de drogas equivale a 26%
das prisões e 12% referem-se a homicídios. Esse percentual também se
aplica aos adolescentes em conflito com a lei, tendo em vista que 11%
dos que estão internados atentaram contra a vida de outra pessoa. Lima
avalia que há uma distorção na aplicação dessa medida socioeducativa,
pois ela só deveria ser aplicada em casos de homicídio ou latrocínio.
Atualmente, a maioria das internações são por motivos menos graves. Ele
avalia que a impunidade na maior parte dos casos, considerando que
apenas 8% dos homicídios são esclarecidos, levam a um quadro
encarceramento preventivo.
O pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade
de São Paulo (USP), Bruno Paes Manso, defende um maior rigor no
cumprimento das leis de execuções penais no Brasil. Em entrevista à Agência Brasil, ele disse que, na avaliação dele, as prisões funcionam hoje como escritórios das
organizações criminosas nos estados. “Estamos investindo muito nesse
sistema que só está tornando o crime mais contundente”, criticou.
Como exemplo de boas práticas de gestão de segurança pública que podem
ser replicadas no país, Lima destaca as experiências de Pernambuco, São
Paulo, Minas Gerais e do Rio de Janeiro. “São programas que deram certo
por determinados períodos. E por que funcionou? As forças policias foram
integradas, áreas territoriais foram compatibilizadas, houve uso
intensivo de informação, aperfeiçoamento da inteligência e participação
comunitária”, enumerou. Ele destaca como um dos complicadores para
desenvolvimento dessas ações a descontinuidade das políticas públicas,
que muitas vezes se tornam marca da gestão de um governo.
Com informações da Agência Brasil

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