Os casos de dengue que carecem de internação e podem levar o paciente a
óbito, classificados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como
dengue com sinais de alarme e dengue grave, cresceram 39% no Ceará. O
aumento é registrado se comparado o atual cenário ao total de
ocorrências em 2013, quando os tipos eram classificados como dengue com
complicação e dengue hemorrágica.
Durante todo o ano passado, 180 pessoas tiveram tipos mais severos da
doença no Ceará, enquanto em 2014, até o começo deste mês, já foram 251
casos, segundo o último Boletim Epidemiológico da Secretaria da Saúde
(Sesa). Neste ano, 41 pacientes morreram no Estado acometidos pelo tipo
grave da doença, sendo 21 mortes na Capital.
O boletim informa ainda que, em 2014, 201 pessoas apresentaram dengue
com sinais de alarme no Ceará. Esses casos têm como sintomas dor
abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de
mucosas ou hemorragia, queda de plaquetas e baixa pressão sanguínea. Em
todas essas situações, a Sesa normatizou que a unidade de saúde que
receber o paciente deve requisitar a internação imediata em leitos
comuns, já que o paciente que tem esse tipo de dengue está suscetível ao
óbito.
O não tratamento da doença neste estágio pode resultar na mudança para a
condição grave que, neste ano, apresentou uma taxa de mortalidade de
82% no Estado, já que dos 50 casos, 41 resultaram em morte do paciente.
"Muitas pessoas chegam nas unidades com a dengue com sinais de alerta e
são mandadas para casa, como se tivessem com a dengue clássica. Isso não
pode ocorrer. Se há algum dos sintomas com sinais de alerta, é preciso
internação imediata", ressaltou o infectologista do Hospital São José,
Afonso Bezerra.
O médico explicou ainda que a pessoa que tem dengue grave apresenta
sangramento volumoso, extremidades frias, pulso indetectável e
comprometimento grave de órgãos (como o coração) e do sistema nervoso
central. Nestas situações, a norma é que esse paciente seja internado em
leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). "Dos casos que
registramos e que resultaram em mortes, em muitos deles as pessoas já
estavam há quatro ou cinco dias com a doença e ela evoluiu. Muitos
demoraram a procurar a assistência médica".
De acordo com o infectologista, atualmente, quatro sorotipos de dengue
(DENV 1,2,3, 4) circulam no Brasil, sendo que três deles (DENV 1, 3 4)
estão em circulação no Ceará. Afonso Bezerra acrescentou que qualquer um
dos sorotipos podem causar dengues mais severas e esclareceu que os
tipos mais graves não necessariamente só acometem pessoas que já tenham
tido a doença anteriormente.
Em Fortaleza, conforme a Sesa, neste ano, já foram confirmados 106
casos de dengue severa, sendo 106 de com sinais de alarme e 21 graves
nos quais, no último caso, todos resultaram em óbito.
O médico reforçou que a dengue é uma doença que pode ser prevenida, e
que o meio efetivo continua sendo o combate ao Aedes aegypti, que se
multiplica em água limpa e parada.
Conforme o Boletim Epidemiológico, em 2013, foram confirmados 25.934
casos de dengue no Ceará, com transmissão da doença em 166, dos 184
municípios do Estado. Neste ano, foram registrados 35.909 casos
suspeitos de dengue e reconhecidos 14.564, em 145 cidades. No ano
passado, dos 180 casos severos, 77 resultaram em óbito, um taxa de
letalidade de 42%. Se considerado só os casos de dengue hemorrágica,
foram 50 registros, com 15 mortes, uma taxa de letalidade de 30%.
Procedimentos
O protocolo especificado pela Sesa para atendimento de casos suspeitos
da doença, determina que, ao apresentar sintomas da dengue (febre entre
dois e sete dias, dor de cabeça, vômito e náuseas), o paciente deve
procurar o posto de saúde ou hospital.
Nas situações de dengue com sinais de alerta, a internação deve ser
imediata para um hemograma completo, com liberação do resultado em 24h. O
paciente deve ser mantido com hidratação oral e venosa. Nesses casos,
segundo o médico, as pessoas são encaminhadas aos hospitais de atenção
secundária, como Frotinhas e Gonzaguinhas. Nos casos considerados
graves, a internação nas UTIs é nos hospitais São José, César Cals e
Hospital Geral de Fortaleza.
Mais informações
Secretaria da Saúde do Estado
0800 275 1520
(85) 3101 5227
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0800 275 1520
(85) 3101 5227
Com informações do Diário do Nordeste

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